A quercetina é um dos compostos naturais mais estudados da atualidade. Não admira, já que esta substância está associada a um leque alargado de benefícios para a saúde.
Neste artigo, contamos-te o que a ciência diz sobre a quercetina:
- O que é ao certo;
- Para que serve;
- Como consumir.
O que é a Quercetina?
A quercetina é um flavonoide, isto é, um pigmento natural presente em várias plantas e alimentos do dia a dia. Na verdade, é uma das responsáveis pela proteção natural das plantas contra o stress ambiental.
No organismo, funciona como um antioxidante e anti-inflamatório1,2.
De acordo com a investigação científica, a quercetina tem, efetivamente, uma capacidade significativa de combater radicais livres, que são moléculas responsáveis pelo chamado stress oxidativo. Este tipo de stress é, digamos, o equivalente ao enferrujar do metal ou àquele “escurecimento” de uma maçã descascada.
Para perceberes melhor a família de compostos a que a quercetina pertence, bem como o papel dos antioxidantes no corpo, vê o nosso artigo sobre o tema: “tudo sobre os antioxidantes”.
Como é claro, a quercetina não substitui uma alimentação variada, um estilo de vida saudável nem tratamentos prescritos por profissionais de saúde.
Para que serve a Quercetina?
A quercetina tem despertado interesse científico sobretudo pelo seu potencial antioxidante e anti-inflamatório1,2. Os quatro maiores benefícios deste composto são os seguintes:
- Alívio de alergias: estudos laboratoriais mostram que a quercetina pode estabilizar os mastócitos, as células que libertam histamina durante uma reação alérgica1,3. Podendo favorecer a diminuição de sintomas como espirros, comichão e corrimento nasal.
- Combate ao envelhecimento celular: a quercetina tem a capacidade de neutralizar radicais livres com grande eficácia4. No corpo, a ação parece ser mais indireta ao estimular os mecanismos de defesa antioxidante das próprias células2;
- Controlo da inflamação: ajuda a inibir enzimas e proteínas que provocam inflamação no organismo, sendo útil em dores articulares ou inflamações crónicas1;
- Saúde cardiovascular: a suplementação pode contribuir para uma ligeira redução da pressão arterial5, possivelmente por favorecer o relaxamento dos vasos sanguíneos2.
A literatura científica tem também associado a quercetina a benefícios potenciais noutras áreas da saúde, nomeadamente neurológica, hepática e oftalmológica. Em estudos experimentais, revelou efeitos promissores ao nível neuroprotetor, além de propriedades anti-envelhecimento, sobretudo quando combinada com outros compostos bioativos.
É importante sublinhar, no entanto, que grande parte destes resultados provém de estudos em modelos animais, sendo a evidência clínica em humanos ainda limitada.
Como consumir Quercetina?
Podes consumir quercetina de duas formas: através da alimentação ou em suplementos.
Quercetina na alimentação
A alimentação é a forma mais segura e recomendada de obter quercetina no dia a dia. Podes encontrá-la, em quantidades variáveis, na cebola roxa, maçãs (com casca), frutos vermelhos, alcaparras, brócolos, chá verde e tomate.
A quantidade de quercetina pode variar consoante o alimento, a variedade, o modo de cultivo, a conservação e a preparação. Por isso, em vez de procurares um único “superalimento”, faz mais sentido apostar na diversidade de fruta, legumes, ervas e outras fontes vegetais.
Além disso, podes e deves seguir duas dicas:
- Come os vegetais crus ou ligeiramente cozinhados ao vapor. A quercetina resiste relativamente bem ao calor, mas passa para a água de cozedura. Ao cozer em água, parte dela fica no tacho;
- Consome estes alimentos acompanhados por uma fonte de gordura saudável (azeite, abacate ou frutos secos). Isto porque a quercetina é lipossolúvel, ou seja, o corpo absorve-a muito melhor na presença de gordura6.
Quercetina na suplementação
O organismo absorve mal a quercetina isolada, e é por isso que a formulação faz diferença1,7. As opções com melhor absorção demonstrada em estudos são a isoquercitrina, as formulações com fosfolípidos (fitossomas)8 e algumas nanoformulações1.
Nos estudos em humanos, doses até cerca de 1 g por dia foram bem toleradas durante períodos de até 12 semanas. Não há dados suficientes sobre a segurança a longo prazo7. Por isso, a suplementação prolongada deve ser acompanhada por um profissional de saúde.
Ao escolheres um suplemento, considera o objetivo, a formulação, a dose, a qualidade do produto e, acima de tudo, o aconselhamento profissional.
Quais as precauções a ter com o consumo de Quercetina?
A quercetina pode interferir com enzimas do fígado e com transportadores no intestino e nos rins que processam vários medicamentos7,9. Isso pode aumentar ou diminuir o efeito deles. Fala com o teu médico ou farmacêutico antes de tomares suplementos se fazes:
- Anticoagulantes (por exemplo, varfarina): pode aumentar o risco de hemorragia;
- Antibióticos do grupo das quinolonas (por exemplo, ciprofloxacina): pode reduzir a eficácia;
- Medicação para a pressão arterial: os efeitos podem somar-se e baixar demasiado a tensão;
- Ciclosporina ou outros medicamentos de margem terapêutica estreita: pode alterar os níveis no sangue.
A suplementação também não está recomendada na gravidez, na amamentação ou em caso de doença renal, por falta de dados de segurança7.
Em resumo: o que deves saber sobre a quercetina
A quercetina é, sem dúvida, um composto natural com um perfil biológico amplo e um interesse científico real, particularmente ao nível da imunidade e do alívio de quadros alérgicos.
Ainda assim, e como acontece com muitos compostos naturais, a ciência continua a dar avanços para confirmar a sua utilidade prática, a dose ideal e a segurança a longo prazo.
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Referências
Aviso legal
Este artigo não tem a intenção de diagnosticar, tratar ou substituir aconselhamento médico sendo o seu conteúdo apenas para fins informativos. Consulta um médico ou profissional de saúde sobre qualquer diagnóstico médico relacionado com a tua saúde ou mesmo eventuais opções de tratamento. As afirmações feitas sobre produtos específicos neste artigo não são aprovadas para diagnosticar, tratar, curar ou prevenir doenças.