4 sinais de que o teu corpo pode precisar de suplementação

Rita Silva
Rita Silva

Descobre quando a suplementação nutricional faz sentido e como te podes guiar pela evidência científica.

Mulher com um pequeno espelho na mão a ver os efeitos da queda de cabelo

Com a crescente oferta de suplementos, é tentador querer dar um reforço ao organismo – é fácil ficar perdido entre tantas opções. Mas, antes de escolher o quê, há uma pergunta mais importante a fazer: quando faz sentido suplementar?

A evidência científica é clara neste ponto. A decisão de suplementar não deve basear-se em modas ou em sintomas vagos, mas em défices documentados, em contextos fisiológicos específicos e em situações em que o organismo tem necessidades aumentadas. A suplementação deve ser individualizada, fundamentada e orientada por dados objetivos.

Em que situações pode existir necessidade de suplementação?

1. Défices identificados em análises clínicas

O motivo mais sólido para iniciar suplementação é a confirmação, por exames laboratoriais, a presença de défices nutricionais confirmados.

Níveis baixos de vitamina D, vitamina B12, folato, ferro ou zinco estão associados a vários problemas de saúde, desde alterações ósseas e anemia até dificuldades de concentração e a disfunção imunitária1-3.

Na perspetiva da nutrição funcional, importa ir além dos valores de referência mínimos e compreender se os níveis de um nutriente são adequados para aquela pessoa específica. Avaliam-se marcadores como a homocisteína – um aminoácido que, em excesso, sinaliza problemas no metabolismo celular – ou a ferritina, que reflete as reservas de ferro no organismo (e não apenas o ferro em circulação). A vitamina D é outro exemplo: o seu intervalo de referência é amplo, e os níveis necessários para uma boa função imunitária e metabólica variam de pessoa para pessoa.

Este é o ponto de partida: sem análises, suplementar é um tiro no escuro.

2. Fases da vida com necessidades aumentadas

Há momentos e condições em que o organismo simplesmente precisa de mais do que é considerado típico – e mais do que qualquer alimentação equilibrada consegue fornecer sozinha.

Gravidez

Durante a gravidez, as necessidades nutricionais aumentam de forma significativa. A suplementação com ácido fólico, ferro, iodo e multivitamínicos específicos tem demonstrado melhorar o peso ao nascer, reduzir anemia materna e contribuir para melhores desfechos perinatais4-5. Menos conhecidos, mas igualmente importantes, são a colina e a vitamina B12 – ambas com papel relevante no desenvolvimento neurológico do feto6.

Envelhecimento

Com a idade, o organismo vai perdendo alguma capacidade de absorver certos nutrientes – a vitamina B12 é um exemplo claro – e a ingestão alimentar tende a diminuir naturalmente. A par disso, surgem alterações como a perda de massa muscular, maior stress oxidativo (ou seja, um desequilíbrio entre os radicais livres produzidos pelo organismo e a sua capacidade de os neutralizar) e algum declínio cognitivo. As vitaminas do complexo B podem ser um apoio para a função cognitiva, e compostos como a glicina e a N-acetilcisteína (NAC) têm mostrado resultados promissores em estudos clínicos no que toca à função mitocondrial, bem como à força muscular e mobilidade7,8.

Desnutrição

Em situações de desnutrição, a suplementação deixa de ser uma mera opção para passar a fazer parte do tratamento, com impacto direto na recuperação e na prevenção de complicações, reduzindo infeções e melhorando biomarcadores de saúde9.

3. Dietas restritivas ou condições específicas

Certos padrões alimentares e condições de saúde aumentam o risco de défices nutricionais, mesmo quando existe cuidado com a alimentação.

  • Quem segue uma dieta vegetariana ou vegana pode não ingerir quantidades suficientes de vitamina B12, ferro ou ómega-3 – nutrientes mais presentes em alimentos de origem animal10;
  • Os atletas, com necessidades acrescidas de proteína e outros nutrientes, podem beneficiar de suplementação com proteína e creatina como complemento à alimentação11,12;
  • Pessoas com intolerância à lactose podem encontrar alívio nos sintomas digestivos com o uso de enzimas digestivas e probióticos13.

Numa abordagem funcional, importa ainda considerar a saúde gastrointestinal, uma vez que alterações como disbiose, inflamação intestinal ou hipocloridria podem comprometer a absorção de micronutrientes, mesmo quando a ingestão alimentar é adequada.

4. Sinais persistentes do organismo 

Alguns sinais clínicos, quando persistentes, podem sugerir necessidades nutricionais aumentadas – e, especialmente se associados a fatores de risco, justificam uma avaliação mais detalhada:

  • Fadiga crónica 
  • Queda de cabelo 
  • Unhas frágeis
  • Alterações do trânsito intestinal 
  • Dificuldades de concentração 
  • Infeções frequentes

A falta de magnésio, por exemplo, é uma carência que se manifesta frequentemente através de sintomas como fadiga ou cãibras.

Na nutrição funcional, estes sinais são interpretados no contexto global do organismo, podendo refletir desequilíbrios em sistemas como imunitário, digestivo ou metabólico. Por serem inespecíficos, estes sinais podem ter muitas causas diferentes e não dispensam uma avaliação clínica. Servem, sim, como um alerta, um ponto de partida para levantar hipóteses, justificar uma consulta e, se necessário, pedir análises.

Quando não faz sentido suplementar

Uma suplementação sem critério, de prevenção ou em resposta a sintomas gerais, não traz benefícios e pode até ser contraproducente:

  • Em pessoas saudáveis, com níveis adequados de nutrientes, a suplementação preventiva não mostra benefícios consistentes na redução do risco de doenças como cancro, doenças cardiovasculares ou diabetes14,15;
  • Algumas vitaminas – nomeadamente as lipossolúveis, como a A, D, E e K, que o organismo armazena em vez de eliminar – podem acumular-se e atingir níveis tóxicos3;
  • Doses elevadas sem indicação médica podem interferir com outros nutrientes e provocar desequilíbrios metabólicos.

Mais nem sempre é melhor, e suplementar sem critério pode ser tão problemático como não suplementar. Se avançares para a suplementação, explora como podes tomar suplementos de forma segura e correta.

Em resumo

Falar em "necessidade de suplementação" implica, na prática, pelo menos uma destas circunstâncias:

  • Existência de défices confirmados por análises;
  • Necessidades fisiológicas aumentadas tendo em conta o contexto clínico;
  • Contexto de dieta restritiva ou condição específica.

A decisão deve partir de uma avaliação clínica e, sempre que possível, de exames laboratoriais. De referir que sintomas inespecíficos como cansaço, queda de cabelo ou alterações no trânsito intestinal podem também ser indicadores de necessidade de suplementação direcionada — mas devem ser interpretados com cautela.

Na abordagem da nutrição funcional, a suplementação é encarada de forma integrada: não basta olhar para o que se come, mas também para como o organismo absorve e utiliza os nutrientes, e para o estilo de vida de cada pessoa.

Na Bioself, acreditamos numa abordagem consciente e informada: suplementar quando faz sentido, com base na ciência e nas necessidades reais do organismo.

Se sentes que precisas de apoio personalizado para recuperares o teu bem-estar, agenda a tua consulta de Nutrição Funcional na Bioself e dá o primeiro passo desta transformação.

Referências

  1. Bouillon, R., et al.  (2021). The health effects of vitamin D supplementation: evidence from human studies. Nature Reviews. Endocrinology, 18, 96 - 110. https://doi.org/10.1038/s41574-021-00593-z
  2. Martínez, V., Salas, A., & Ballestín, S. (2022). Vitamin Supplementation and Dementia: A Systematic Review. Nutrients, 14. https://doi.org/10.3390/nu14051033
  3. Ofoedu, C., et al. (2021). Revisiting food-sourced vitamins for consumer diet and health needs: a perspective review, from vitamin classification, metabolic functions, absorption, utilization, to balancing nutritional requirements. PeerJ, 9. https://doi.org/10.7717/peerj.11940
  4. Ballestín, S., Campos, G., Ballestin, J., & Bartolomé, M. (2021). Is Supplementation with Micronutrients Still Necessary during Pregnancy? A Review. Nutrients, 13. https://doi.org/10.3390/nu13093134
  5. Oh, C., Keats, E., & Bhutta, Z. (2020). Vitamin and Mineral Supplementation During Pregnancy on Maternal, Birth, Child Health and Development Outcomes in Low- and Middle-Income Countries: A Systematic Review and Meta-Analysis. Nutrients, 12. https://doi.org/10.3390/nu12020491
  6. González-Fernández, D., Muralidharan, O., Neves, P., & Bhutta, Z. (2024). Associations of Maternal Nutritional Status and Supplementation with Fetal, Newborn, and Infant Outcomes in Low-Income and Middle-Income Settings: An Overview of Reviews. Nutrients, 16. https://doi.org/10.3390/nu16213725
  7. Kumar, P., et al. (2021). Glycine and N‐acetylcysteine (GlyNAC) supplementation in older adults improves glutathione deficiency, oxidative stress, mitochondrial dysfunction, inflammation, insulin resistance, endothelial dysfunction, genotoxicity, muscle strength, and cognition: Results of a pilot clinical trial. Clinical and Translational Medicine, 11. https://doi.org/10.1002/ctm2.372
  8. Fekete, M., et al. (2023). Improving Cognitive Function with Nutritional Supplements in Aging: A Comprehensive Narrative Review of Clinical Studies Investigating the Effects of Vitamins, Minerals, Antioxidants, and Other Dietary Supplements. Nutrients, 15. https://doi.org/10.3390/nu15245116
  9. An, R., Shen, J., Zhang, Z., Lim, M., & Huynh, D. (2024). Effect of Oral Nutritional Supplementation on Health-Related Outcomes and Nutritional Biomarkers in Children and Adolescents with Undernutrition: A Systematic Review and Meta-Analysis. Nutrients, 16. https://doi.org/10.3390/nu16172970
  10. Neufingerl, N.; Eilander, A. Nutrient Intake and Status in Adults Consuming Plant-Based Diets Compared to Meat-Eaters: A Systematic Review. Nutrients 2022, 14, 29. https://doi.org/10.3390/nu14010029
  11. Antonio, J., et al (2024). Common questions and misconceptions about protein supplementation: what does the scientific evidence really show?. Journal of the International Society of Sports Nutrition, 21. https://doi.org/10.1080/15502783.2024.2341903
  12. Amawi, A., et al. (2024). Athletes’ nutritional demands: a narrative review of nutritional requirements. Frontiers in Nutrition, 10. https://doi.org/10.3389/fnut.2023.1331854
  13. Leis, R., De Castro, M., De Lamas, C., Picáns, R., & Couce, M. (2020). Effects of Prebiotic and Probiotic Supplementation on Lactase Deficiency and Lactose Intolerance: A Systematic Review of Controlled Trials. Nutrients, 12. https://doi.org/10.3390/nu12051487
  14. Tobias, D., et al. (2023). Association of Body Weight With Response to Vitamin D Supplementation and Metabolism. JAMA Network Open, 6. https://doi.org/10.1001/jamanetworkopen.2022.50681

15. Rebelos, E., Tentolouris, N., & Jude, E. (2023). The Role of Vitamin D in Health and Disease: A Narrative Review on the Mechanisms Linking Vitamin D with Disease and the Effects of Supplementation. Drugs, 83, 665 - 685. https://doi.org/10.1007/s40265-023-01875-8

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