A SIBO (Supercrescimento Bacteriano no Intestino Delgado) é um distúrbio gastrointestinal cada vez mais reconhecido, caracterizado por um excesso e desequilíbrio de bactérias no intestino delgado, local que normalmente possui uma colonização muito inferior à do cólon1. Quando o equilíbrio da microbiota é comprometido, as bactérias fermentam os hidratos de carbono de forma prematura, desencadeando uma série de sintomas que afetam a qualidade de vida e a absorção de nutrientes essenciais2,3.
Se te reconheces nestes sintomas, vem conhecer melhor as causas e as estratégias recomendadas para restaurar o equilíbrio intestinal e o bem-estar.
Sintomas Comuns da SIBO: mais do que apenas inchaço
Os sintomas da SIBO são muitas vezes inespecíficos e confundidos com os da Síndrome do Intestino Irritável (SII)1,4. Os sinais mais comuns incluem:
- Distensão e inchaço abdominal (bloating): O sintoma mais marcante e frequentemente obrigatório para o diagnóstico clínico4,5;
- Alterações no trânsito intestinal: Diarreia ou flatulência excessiva que interferem com a rotina1,2,5;
- Obstipação (prisão de ventre): Especialmente associada à presença de microrganismos produtores de metano, uma variante conhecida como IMO (Intestinal Methanogen Overgrowth)2,5;
- Deficiências nutricionais: A SIBO compromete a absorção de vitamina B12 (pelo consumo bacteriano) e de vitaminas lipossolúveis (A, D, E e K), com impacto direto na energia e imunidade1,2,5;
- Sintomas sistémicos: Fadiga persistente, dificuldade de concentração (brain fog) e, em casos mais graves, perda de peso3,4.
O que está na origem da SIBO?
O nosso organismo dispõe de mecanismos naturais de defesa (como o ácido gástrico e a motilidade intestinal) que impedem a proliferação excessiva de bactérias no intestino delgado3. Quando estes mecanismos falham, a SIBO desenvolve-se. As causas mais frequentes incluem:
- Hipocloridria (baixo ácido gástrico): O uso prolongado de Inibidores da Bomba de Protões (IBP), como o omeprazol, pode enfraquecer a barreira ácida protetora1,4,5;
- Dismotilidade intestinal: Falhas no Complexo Motor Migratório (CMM), o "zelador" do intestino, responsável por limpar resíduos durante o jejum3,4. Doenças como diabetes ou Parkinson, podem agravar esta condição4,5;
- Alterações anatómicas: Cirurgias abdominais (como bypass gástrico ou colectomia) aderências ou divertículos no intestino delgado criam zonas de estagnação propícias à proliferação bacteriana1,4;
- Disfunção da válvula ileocecal: Uma válvula incompetente pode permitir o refluxo de bactérias do cólon para o intestino delgado1,4.
Como confirmar o diagnóstico de SIBO?
O método não invasivo mais utilizado na prática clínica são os testes respiratórios de hidrogénio e metano1,2,4. O paciente ingere um substrato (glicose ou lactulose) e mede-se a concentração de gases expirados. Embora a cultura de aspirado do intestino delgado seja o método de referência, a sua natureza invasiva torna-a menos utilizada no dia a dia clínico4.
Como restaurar o equilíbrio?
O tratamento eficaz da SIBO passa por eliminar o excesso bacteriano e tratar a causa subjacente – só assim é possível evitar recaídas4,5.
1. Antibioticoterapia
A Rifaximina é o antibiótico de eleição, pela sua baixa absorção sistémica e perfil de segurança favorável1,2. Para além de eliminar as bactérias patogénicas, atua como agente "eubiótico", preservando a microbiota benéfica e reduzindo a inflamação intestinal1,2. A sua utilização deve ser sempre feita com prescrição e acompanhamento médico.
2. Intervenção nutricional
A alimentação é uma aliada fundamental na recuperação:
- A Dieta Low FODMAP reduz o consumo dos hidratos de carbono fermentáveis que alimentam as bactérias, aliviando rapidamente sintomas como o inchaço.1 No entanto, não deve ser seguida por mais de 4 a 6 semanas, para preservar a diversidade da microbiota e evitar carências nutricionais;
- É igualmente importante controlar o aporte de fibras, evitar substitutos do açúcar (como sorbitol, aspartame e sacarina) e aumentar a ingestão proteica para apoiar a recuperação.
3. Suplementação e probióticos
O papel dos probióticos na SIBO é ainda objeto de debate científico. Segundo alguns estudos, estirpes como o Lactobacillus casei ou a Saccharomyces boulardii, podem reduzir a carga bacteriana e potenciar a eficácia dos antibióticos. Alguns pacientes, contudo, reportam um agravamento dos sintomas, pelo que o seu uso deve ser sempre personalizado6.
A suplementação alimentar é uma via promissora: ingredientes como orégão, berberina e neem demonstraram eficácia comparável à Rifaximina em alguns ensaios clínicos1,5. Para apoiar a redução da inflamação, pode também ser considerada a suplementação com zinco, glutamina, vitamina A, quercetina e ómega-3, bem como enzimas digestivas para facilitar a digestão. Qualquer protocolo de suplementação deve ser acompanhado por um profissional de saúde qualificado.
Recupera o teu equilíbrio intestinal e a tua qualidade de vida
Recuperar o equilíbrio na SIBO é um processo que vai muito além de eliminar bactérias. É fundamental tratar a causa primária – seja através da alimentação, da suplementação adequada ou da melhoria da motilidade intestinal – para reduzir a elevada taxa de recorrência deste problema1,3.
Não adies o teu bem-estar. Consulta um especialista, obtém um diagnóstico preciso e adota um plano alimentar individualizado. Viver com mais conforto, energia e qualidade de vida está ao teu alcance!
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Referências
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