O Jejum Intermitente (JI) tornou-se popular, mas continua a gerar confusão. Para uns é uma forma simples de perder gordura. Para outros, é mais uma moda passageira.
A Ciência mostra benefícios reais, mas também limites e, neste artigo, clarificamos tudo:
- O que é o jejum intermitente;
- Quais são os métodos mais comuns;
- O que está comprovado;
- Como fazê-lo com segurança.
O Que é o Jejum Intermitente?
O jejum intermitente é uma estratégia alimentar baseada em períodos alternados de alimentação e jejum1. Não define o que comer, mas, sim, quando comer.
Durante o período de jejum, a ingestão calórica é muito baixa ou nula1.
Quando a janela de alimentação abre, a pessoa come de forma normal. Se a alimentação for má ou excessiva durante a janela alimentar, os efeitos desaparecem.
Em termos fisiológicos, o jejum prolonga o tempo em que o corpo usa reservas de energia. Com menos entradas de comida, as reservas de açúcar tendem a baixar e o organismo passa a recorrer mais à gordura armazenada.
Como Fazer Jejum Intermitente?
Os três métodos principais para fazer jejum intermitente são os seguintes1:
- Método 16/8;
- Método 5:2;
- Jejum em dias alternados.
Método 16/8
Consiste em jejuar durante 16 horas e concentrar as refeições numa janela de 8 horas1.
Um exemplo simples: a primeira refeição ao meio-dia e a última às 20h. Fora desse período, não se consomem calorias.
Muitas pessoas já fazem algo parecido sem dar por isso, ao saltar o pequeno-almoço.
Este método tende a funcionar bem porque é previsível e compatível com rotinas de trabalho e vida social. Não exige grandes mudanças na alimentação, apenas no horário.
Método 5:2
Neste modelo, a semana é dividida em dias normais e dias de forte restrição calórica. Em dois dias não consecutivos da semana, a ingestão calórica é reduzida - em que pode consumir 25% de suas necessidades energéticas - geralmente para cerca de 500 a 600 calorias1. Nos restantes cinco dias, come-se de forma habitual1.
Não é um jejum completo, mas sim uma restrição marcada. Funciona melhor quando os dias de restrição são planeados e não vistos como dias de “castigo”. Caso contrário, é comum compensar em excesso nos dias seguintes.
Jejum em Dias Alternados
Este é o método mais exigente. Alterna dias de jejum total ou quase total com dias de alimentação normal. Na prática, significa jejuar dia sim, dia não1.
Apesar de existirem estudos sobre este formato, a adesão é baixa. A maioria das pessoas não consegue mantê-lo por muito tempo. O impacto na vida social, no treino e no bem-estar geral é elevado.
O Que Diz a Ciência Sobre o Jejum Intermitente?
A Ciência diz-nos que o jejum intermitente não é uma “solução mágica”, mas, sim, uma ferramenta metabólica poderosa. Há benefícios e limitações em cinco níveis:
- Gordura: o JI promove a perda de peso, através do défice calórico espontâneo.
- Coração: do mesmo modo, pode melhorar a pressão arterial e controlar os valores de colesterol, atuando como aliado da saúde cardiovascular6,7,8. No entanto, muitas pessoas tendem a comer em excesso na janela de alimentação, anulando o défice. Por outro lado, se as calorias forem iguais, no JI não há maior restrição calórica do que uma dieta para emagrecer.
- Glicemia: o JI diminui os níveis de insulina em jejum e a glicemia (quantidade de açúcar no sangue), reduzindo o risco de Diabetes1,7. Mas, em alguns indivíduos, longos períodos sem comer podem causar quedas bruscas de açúcar no sangue, gerando tonturas ou irritabilidade.
- Energia: o impacto na energia é paradoxal. O jejum estimula a produção de BDNF, uma proteína que atua como “fertilizante” para os neurónios, melhorando a clareza mental e a memória. Pode até ser complementar o efeito de suplementos para a memória e concentração. Mas também é comum sentir o “brain fog” (névoa mental), fadiga e dores de cabeça aquando do processo de adaptação à rotina de jejum.
- Longevidade: o jejum ativa a autofagia, um processo de “limpeza celular” em que o corpo elimina células danificadas, mas ainda não existem estudos em humanos que confirmem o aumento da vida útil máxima apenas por esse efeito do JI1.
Quem Deve Evitar o Jejum Intermitente?
Estes são os grupos que devem evitar ou ter cautela com a prática de JI:
- Pessoas com histórico de distúrbios alimentares: o JI foca muito em “janelas de tempo” e restrição, o que pode desencadear comportamentos de compulsão alimentar (comer em excesso na janela permitida ou obsessão por comida saudável e regras rígidas).
- Pessoas com diabetes: quem toma insulina ou certos medicamentos orais precisa de uma rotina alimentar regular para equilibrar a medicação. O JI nunca deve ser feito sem supervisão médica.
- Pessoas com baixo peso (IMC < 18,5): o corpo precisa de reservas de gordura para sustentar o metabolismo durante o jejum. Se o teu IMC já é baixo, o jejum pode levar à perda de massa muscular essencial e enfraquecimento do sistema imunitário.
- Pessoas com stress crónico: o jejum aumenta os níveis de cortisol (a hormona do stress) para dar energia ao corpo. Se vives num estado de ansiedade constante, o JI pode sobrecarregar o teu sistema nervoso.
- Pessoas idosas: com a idade, a síntese de proteína é menos eficiente; concentrar a proteína em poucas refeições pode dificultar a manutenção dos músculos, aumentando o risco de quedas e fragilidade.
Como Começar o Jejum Intermitente Com Segurança?
Para começar o jejum intermitente (JI) com segurança, o segredo é a progressão gradual. Partilhamos o passo a passo para um início seguro e sustentável:
- Passo 1: não tentes fazer um jejum de 16 horas logo no primeiro dia. Começa pelo básico, como o método 12/12. Ou seja, se jantas às 20h, só tomas o pequeno-almoço às 8h. Elimina os “snacks” noturnos e bebe muita água.
- Passo 2: aumenta o intervalo gradualmente. Passa para 14/10 (14 horas de jejum) e, depois de alguns dias, tenta o 16/8.
- Passo 3: quebra o jejum com fontes fibra e de proteína como ovos, carne magra ou peixe, que ajudam a estabilizar o açúcar no sangue. Evita hidratos refinados como pão branco ou doces, porque podem causar um pico de insulina e deixar-te com muita fome. Mantém gorduras saudáveis, como azeite e frutos secos, já que ajudam a manter a saciedade.
Durante o jejum, bebe apenas água, café preto ou chá (tudo sem açúcar ou adoçantes). O adoçante pode, em algumas pessoas, disparar uma resposta insulínica.
Se sentires dor de cabeça ou fraqueza, pode ser falta de sal. Adiciona uma pitada de sal marinho ou eletrólitos à tua água durante o período de jejum.
Por fim, ouve o teu corpo. É normal sentir uma leve fome (que vem em ondas e passa). Não é normal sentir tonturas, palpitações, suores frios ou náuseas de forma prolongada. Se isso acontecer, interrompe o jejum imediatamente com uma pequena refeição.
Conclusão
O jejum intermitente é uma ferramenta, não uma solução mágica. Pode ajudar a reduzir calorias, melhorar sensibilidade à insulina e, para algumas pessoas, simplificar a rotina alimentar.
Os benefícios dependem da adesão, da qualidade da alimentação e do contexto individual. Não funciona para todos e não compensa maus hábitos.
Para começar, o ideal é avançar devagar, ouvir o teu corpo e manter escolhas alimentares equilibradas. Quem tem condições médicas específicas deve evitar ou consultar um profissional de saúde especializado.
No fim, o jejum intermitente funciona melhor como ajuste sustentável ao estilo de vida, não como promessa de resultados rápidos.
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Referências
Aviso legal
Este artigo não tem a intenção de diagnosticar, tratar ou substituir aconselhamento médico sendo o seu conteúdo apenas para fins informativos. Consulta um médico ou profissional de saúde sobre qualquer diagnóstico médico relacionado com a tua saúde ou mesmo eventuais opções de tratamento. As afirmações feitas sobre produtos específicos neste artigo não são aprovadas para diagnosticar, tratar, curar ou prevenir doenças.