Proteína: estamos a consumir o suficiente?

Rita Silva
Rita Silva

A proteína está em todo o lado, mas será a quantidade o problema? Desvenda mitos e conhece doses, melhores fontes e quando suplementar faz sentido.

Mulher sentada à mesa a comer uma bowl de iogurte, cereais e fruta.

A proteína está em todo o lado. O que antes era uma preocupação de culturistas passou para as prateleiras do supermercado – entre barras, iogurtes, suplementos de whey, até água – e instalou-se a ideia de que todos precisamos de aumentar a ingestão proteica. Mas será mesmo assim?

A evidência científica mais recente mostra uma realidade mais complexa. Vamos perceber de quanta proteína realmente precisas, o que muda com a idade e com o treino, e onde a maioria de nós falha – que talvez não seja onde pensas.

Porque é que a proteína é tão importante?

A proteína é um dos três macronutrientes – os grandes blocos da alimentação – ao lado dos hidratos de carbono e das gorduras. Muito para além do seu papel na manutenção da massa muscular, participa na produção de enzimas, hormonas e anticorpos, no transporte de moléculas, na renovação celular e na reparação dos tecidos1. É também essencial à cicatrização, fornecendo os aminoácidos de que o organismo precisa para se regenerar1

Além desta função estrutural, a proteína ajuda ainda a regular o apetite e a prolongar a saciedade, o que facilita o controlo do que se come ao longo do dia – embora este efeito varie consoante a fonte proteica2. 

Não é, por isso, um nutriente exclusivo de quem pratica exercício físico de alta performance. É indispensável em todas as fases da vida e assume uma importância especial com o envelhecimento, ao ajudar a preservar massa e força muscular e a reduzir o risco de sarcopenia (a perda progressiva de músculo associada à idade) e de fragilidade, sobretudo quando combinada com exercício de força3.

Estamos realmente a consumir proteína suficiente?

Nos últimos anos, o mercado dos alimentos enriquecidos em proteína cresceu exponencialmente. No entanto, o marketing bem-sucedido não significa que exista uma carência generalizada.

Uma análise realizada em 25 países europeus concluiu que menos de 1% dos adultos entre os 18 e os 64 anos têm uma ingestão insuficiente de proteína e que a proteína utilizável pelo organismo é suficiente para a grande maioria da população4. Ou seja: para a generalidade dos adultos saudáveis, a quantidade total de proteína consumida não é o problema.

Em Portugal, o cenário é semelhante. O Inquérito Alimentar Nacional e de Atividade Física (IAN-AF 2015-2016) mostrou que a ingestão proteica é mais de 4 vezes superior ao recomendado6. Os principais contribuidores para a ingestão de proteína são a carne e os produtos lácteos, por isso, recomenda-se atenção no tamanho das porções consumidas5.

De quanta proteína precisas, afinal?

As recomendações variam conforme a fase da vida:

  • Adulto saudável: cerca de 0,8 g por quilo de peso, por dia6,7;
  • Idosos (mais de 65 anos): 1,0 g a 1,2 g/kg, por dia6,8;
  • Doença ou recuperação: 1,2 a 2,0 g/kg/dia, sempre sob orientação clínica6,8;
  • Exercício regular, com treino de força: 1,6 a 2,0 g/kg/dia, embora esta necessidade acrescida ainda continue em debate9.

Nota que os valores de referência já contemplam quem é fisicamente ativo – na ordem dos 30 minutos, quatro a cinco vezes por semana. A subida para 1,6–2,0 g/kg diz respeito a treino de força sério e continuado, não necessariamente a quem faz caminhadas ou vai ao ginásio de forma recreativa.

Na prática: uma pessoa de 70 kg, saudável e moderadamente ativa, precisa de cerca de 56 g por dia. Com treino de força regular, o intervalo pode subir para 112 a 140 g – uma diferença considerável e que deve ser ajustada individualmente.

Proteína animal ou vegetal: qual é a melhor escolha?

A questão deixou de ser apenas “quanta proteína?” e passou a incluir “de que origem e com que qualidade?”

Dietas ricas em alimentos vegetais, quando bem planeadas, podem apresentar excelente qualidade nutricional e menor impacto ambiental10. Em dietas exclusivamente veganas, contudo, é importante dar atenção a alguns aminoácidos essenciais – as peças da proteína que o corpo não fabrica e tem de obter da alimentação – como a lisina e a leucina11.

Mas há um fator que pesa ainda mais do que a origem da proteína: o grau de processamento. Uma dieta à base de alimentos não processados, ou minimamente processados, está associada a melhor qualidade alimentar, maior variedade de proteína vegetal e menor risco de problemas de coração e metabolismo. Com os ultraprocessados, acontece o oposto12.

A origem da proteína também influencia a microbiota intestinal. Um padrão alimentar rico em leguminosas, frutos oleaginosos e outros alimentos vegetais favorece uma microbiota mais diversa, enquanto as dietas assentes em carne processadas estão associadas a perfis menos favoráveis13,14.

4 mitos a desmontar sobre a proteína

  1. Mais proteína é sempre melhor.” Falso. Acima das tuas necessidades, o excesso é usado como energia ou convertido em gordura, e não traz qualquer benefício adicional;
  2. Só quem treina precisa de proteína.” Falso. As necessidades existem em todas as fases da vida, e até aumentam quando se é mais velho e menos ativo;
  3. "A proteína vegetal é inferior." Depende do planeamento alimentar;
  4. "A whey é obrigatória." Não. É uma forma prática de complementar, não um requisito.

Onde está o verdadeiro problema no consumo de proteína (e como resolvê-lo)

A quantidade não é a questão, mas há dois fatores onde o problema reside: a distribuição e a variedade. Os deslizes mais comuns são:

  • Pequeno-almoço quase sem proteína;
  • Quase toda a proteína concentrada ao jantar;
  • Alimentação assente sobretudo em carne vermelha;
  • Leguminosas esquecidas (feijão, grão, ervilhas, lentilhas);
  • Assumir que tudo o que diz "proteico" no rótulo é mais saudável.

A correção é simples e cabe num prato: uma fonte de proteína de qualidade em cada refeição, metade do prato com vegetais, um quarto com cereais integrais ou tubérculos, e uma gordura saudável em quantidade adequada. Privilegia alimentos pouco processados e vai variando entre peixe, ovos, leguminosas, laticínios e carne magra.

Quando é que a suplementação de proteína faz sentido?

Há, ainda assim, contextos em que a suplementação pode fazer sentido – não como um upgrade nutricional, mas para atingir objetivos que a alimentação, por si só, dificilmente alcança. É o caso de:

  • Treino de força continuado, em que chegar aos intervalos que já vimos só com comida exige planeamento e um volume alimentar considerável;
  • Idade avançada com pouco apetite, quando as necessidades sobem ao mesmo tempo que a vontade de comer desce;
  • Recuperação de doença ou cirurgia, com as necessidades a disparar num período em que comer é difícil;
  • Dietas restritivas, seja por opção, alergia ou intolerância.

A whey (proteína do soro do leite) tornou-se uma das opções mais populares – é completa, de rápida absorção e rica em leucina, o aminoácido que mais estimula a construção muscular – mas as alternativas vegetais, de ervilha e arroz, podem cumprir o mesmo papel.

A necessidade de suplementação depende, então, do teu peso, idade, treino, estado de saúde e do que já comes. São variáveis individuais, que devem ser avaliadas e recomendadas por uma nutricionista.

Mais do Que Quantidade: O Papel da Proteína na Tua Saúde 

A resposta à pergunta de que partimos – estamos a consumir proteína suficiente? – é simples. Sim, a maioria dos adultos saudáveis em Portugal consome proteína que chegue. Mas não de forma uniforme: as necessidades mudam com a idade, o estado de saúde, o nível de atividade e o padrão alimentar, e a distribuição ao longo do dia conta tanto como o total.

Mais do que somar gramas, vale a pena olhar para a origem, a qualidade e o momento. Se quiseres perceber o que faz sentido no teu caso, incluindo se há lugar para a suplementação, começa hoje o acompanhamento em Nutrição Funcional na Bioself.

Referências

  1. Minjares, M., Thepsuwan, P., Zhang, K., & Wang, J. M. (2025). Unfolded protein responses: Dynamic machinery in wound healing. Pharmacology & therapeutics, 267, 108798. https://doi.org/10.1016/j.pharmthera.2025.108798
  2. Braden, M. L., Gwin, J. A., & Leidy, H. J. (2023). Protein Source Influences Acute Appetite and Satiety but Not Subsequent Food Intake in Healthy Adults. The Journal of nutrition, 153(6), 1825–1833. https://doi.org/10.1016/j.tjnut.2023.04.001
  3. Wayne W Campbell, Nicolaas E P Deutz, Elena Volpi, Caroline M Apovian, Nutritional Interventions: Dietary Protein Needs and Influences on Skeletal Muscle of Older Adults, The Journals of Gerontology: Series A, Volume 78, Issue Supplement_1, June 2023, Pages 67–72, https://doi.org/10.1093/gerona/glad038
  4. Heerschop, S. N., Biesbroek, S., Daas, M. C., Kuijsten, A., Gurinović, M., Geleijnse, J., & Van ’t Veer, P. (2025). Protein Adequacy in Europe: Adjusting Crude Intakes Using the Protein Adequacy and Quality Score (PAQS). Current Developments in Nutrition, 9. https://doi.org/10.1016/j.cdnut.2025.107539
  5. Lopes, C., Torres, D., Oliveira, A., Severo, M., Alarcão, V., Guiomar, S., Mota, J., Teixeira, P., Rodrigues, S., Lobato, L., Magalhães, V., Correia, D., Nicolau, A., Soares, S., Ramos, E., & IAN-AF Consortium. (2017). Inquérito Alimentar Nacional e de Atividade Física, IAN-AF 2015–2016: Relatório de resultados. Universidade do Porto. Faculdade de Medicina. https://ian-af.up.pt
  6. Richter, M., Baerlocher, K., Bauer, J., Elmadfa, I., Heseker, H., Leschik-Bonnet, E., Stangl, G., Volkert, D., & Stehle, P. (2019). Revised Reference Values for the Intake of Protein. Annals of Nutrition and Metabolism, 74, 242 - 250. https://doi.org/10.1159/000499374
  7. Products, E. P. O. D. (2012). Scientific Opinion on Dietary Reference Values for protein.. EFSA Journal, 10. https://doi.org/10.2903/j.efsa.2012.2557
  8. Bauer, J., Biolo, G., Cederholm, T., Cesari, M., Cruz-Jentoft, A., Morley, J., Phillips, S. M., Sieber, C., Stehle, P., Teta, D., Visvanathan, R., Volpi, E., & Boirie, Y. (2013). Evidence-based recommendations for optimal dietary protein intake in older people: a position paper from the PROT-AGE Study Group.. Journal of the American Medical Directors Association, 14 8, 542-59 . https://doi.org/10.1016/j.jamda.2013.05.021
  9. Mănescu, A. M., Hangu, S. Ș., & Mănescu, D. (2025). Nutritional Supplements for Muscle Hypertrophy: Mechanisms and Morphology—Focused Evidence. Nutrients, 17. https://doi.org/10.3390/nu17223603
  10. Daas, M. C., Van ’t Veer, P., Temme, E. H. M., Kuijsten, A., Gurinović, M., & Biesbroek, S. (2025). Diversity of dietary protein patterns across Europe – Impact on nutritional quality and environmental sustainability. Current Research in Food Science, 10. https://doi.org/10.1016/j.crfs.2025.101019
  11. Borkent, J. W., Grootswagers, P., Linschooten, J., Roodenburg, A., Ocké, M., & De Van Der Schueren, M. A. E. (2024). A vegan dietary pattern is associated with high prevalence of inadequate protein intake in older adults; a simulation study. The Journal of Nutrition, Health & Aging, 28. https://doi.org/10.1016/j.jnha.2024.100361
  12. Salomé, M., Arrazat, L., Wang, J., Dufour, A., Dubuisson, C., Volatier, J., Huneau, J., & Mariotti, F. (2021). Contrary to ultra-processed foods, the consumption of unprocessed or minimally processed foods is associated with favorable patterns of protein intake, diet quality and lower cardiometabolic risk in French adults (INCA3). European Journal of Nutrition, 60, 4055 - 4067. https://doi.org/10.1007/s00394-021-02576-2
  13. Adejumo, S., Lewis, G. S., Das, P., Lim, C., Malas, J., Oli, A., Allen, J. M., & Hampton-Marcell, J. T. (2026). Dietary Protein Source Shapes Gut Microbial Structure and Predicted Functional Potential: a Systematic Integrative Re-Analysis Using Machine Learning. Advances in Nutrition, 17. https://doi.org/10.1016/j.advnut.2025.100582
  14. Di Rosa, C., Di Francesco, L., Spiezia, C., & Khazrai, Y. M. (2023). Effects of Animal and Vegetable Proteins on Gut Microbiota in Subjects with Overweight or Obesity. Nutrients, 15. https://doi.org/10.3390/nu15122675
01 Agosto 2026

Sugestões Bioself

  • Auri Foods Proteína Whey Isolada Pink Lemonade 900 g

    Auri Foods Proteína Whey Isolada Pink Lemonade 900 g

    €74,90

    €0,08 por Grama
  • -10%
    Auri Foods Proteína Fermentada Hidrolisada Natural 450 g

    Auri Foods Proteína Fermentada Hidrolisada Natural 450 g

    €34,11

    €37,90

    €0,07 por Grama
  • -15%
    GoldNutrition V-Protein 240g Morango

    GoldNutrition V-Protein 240g Morango

    €11,89

    €13,99

    €0,04 por Grama
  • -15%
    Vitafor Isofort Plant Banana com Canela 450 g

    Vitafor Isofort Plant Banana com Canela 450 g

    €33,91

    €39,90

    €0,07 por Grama
  • -15%
    Vitafor Isocrisp Plant 60 g

    Vitafor Isocrisp Plant 60 g

    €12,66

    €14,90

    €0,21 por Grama

Loja Bioself Natura

  • -50%
    Fharmonat Biokygen Arroz Vermelho Colesterol 60 Cápsulas - Pack de 3

    Fharmonat Biokygen Arroz Vermelho Colesterol 60 Cápsulas - Pack de 3

    €29,85

    €59,70

    €0,16 por Cápsula
  • -20%
    Farmoplex Excelent Zen 60 cápsulas

    Farmoplex Excelent Zen 60 cápsulas

    €14,90

    €18,63

    €0,24 por Cápsula
  • -25%
    Biokygen Magtein L-Treonato de Magnésio 90 Cápsulas

    Biokygen Magtein L-Treonato de Magnésio 90 Cápsulas

    €35,06

    €46,75

  • -20%
    Floral de Bach Rescue Remedy Gotas 20ml

    Floral de Bach Rescue Remedy Gotas 20ml

    €15,99

    €19,99

    €0,79 por ml
  • -15%
    Naturmil Bisglicinato Magnésio 750 mg 90 Comprimidos

    Naturmil Bisglicinato Magnésio 750 mg 90 Comprimidos

    €13,09

    €15,40

    €0,14 por Comprimido
  • -10%
    Dr. Reckeweg V-C 15 Forte Neo 24 Ampolas

    Dr. Reckeweg V-C 15 Forte Neo 24 Ampolas

    €51,03

    €56,70

    €2,12 por Ampola
  • -40%
    ESI Normolip 5 Strong 36 Comprimidos - Pack de 3

    ESI Normolip 5 Strong 36 Comprimidos - Pack de 3

    €53,91

    €89,85

    €0,49 por Comprimido
  • -15%
    Naturmil Vitamina D3 + K2 60 Comprimidos

    Naturmil Vitamina D3 + K2 60 Comprimidos

    €19,46

    €22,90

    €0,32 por Comprimido
  • -30%
    Novo Horizonte Berberina 90 Cápsulas

    Novo Horizonte Berberina 90 Cápsulas

    €20,93

    €29,90

    €0,23 por Cápsula
  • -20%
    Nutergia Ergyphilus Plus Defense 60 Cápsulas

    Nutergia Ergyphilus Plus Defense 60 Cápsulas

    €17,80

    €22,25

    €0,29 por Cápsula
  • -25%
    Nutergia Ergycebe 90 Cápsulas

    Nutergia Ergycebe 90 Cápsulas

    €20,21

    €26,95

    €0,22 por Cápsula
  • Boiron Oscillococinum 30 doses

    Boiron Oscillococinum 30 doses

    €33,90

    €1,13 por unidade

Também vais gostar

SUBSCREVE A NEWSLETTER E RECEBE PROMOÇÕES E OFERTAS

Obrigado pelo teu registo. Irás receber um email na tua caixa de correio para confirmares a tua inscrição na newsletter Bioself.

SUBSCREVE A NEWSLETTER E RECEBE PROMOÇÕES E OFERTAS

Obrigado pelo teu registo. Irás receber um email na tua caixa de correio para confirmares a tua inscrição na newsletter Bioself.